quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O japonismo no Brasil


Os japoneses, antes mesmo de sua chegada ao Brasil, já influenciavam, de forma indireta, a produção artística do país. Essa história teve início em 1850, quando, por pressão da Inglaterra e dos Estados Unidos, o Japão se viu obrigado a negociar com outros países.

O Japão havia passado muito tempo, por volta de três séculos, sem contato com os povos ocidentais, ou seja, a cultura japonesa era um verdadeiro mistério para o resto do mundo. Nesse período, durante o qual estiveram isolados, os japoneses criaram estilos únicos de expressão artística. Com temas ligados à tradição militar, à religião, ou às cenas do cotidiano, desenvolveram técnicas peculiares de produção.

Estabelecida a relação diplomática e de comércio com as grandes nações colonizadoras ocidentais, os produtos japoneses passaram a circular pelo mundo. E, ao chegarem à Europa, causaram verdadeiro fascínio. Todos queriam vestir quimonos, ter espadas, empunhar leques.





Para proteger produtos tão cobiçados durante as longas viagens por mar, os comerciantes japoneses os embrulhavam em papéis cujas imagens, aos poucos, tornaram-se conhecidas dos artistas da época. Eram gravuras desvalorizadas no Japão, por seu caráter popular, e que acabavam virando material dispensável, sem nenhum valor comercial.





Artistas como Van Gogh, Gauguin, Matisse, Monet, entre muitos outros, quando tiveram contato com essas gravuras, passaram a estudá-las. Assim, muito do que conhecemos desses pintores foi enriquecido pelo contato com os trabalhos de seus colegas orientais. A essa relação damos o nome de japonismo. O japonismo representou a influência de que os artistas da época precisavam para renovar seu pensamento, fugindo das imposições da arte acadêmica.



Muitos anos depois, em 1908, os japoneses chegaram ao Brasil. Vieram trabalhar principalmente nas lavouras de café. Pouco a pouco, esses trabalhadores foram trazendo novos hábitos para o nosso país, ao mesmo tempo em que incorporavam a nossa cultura. A vinda de artistas japoneses certamente foi uma das mais importantes contribuições à nossa cultura e, mais uma vez, agora de forma direta, eles voltaram a ser fundamentais em nossa arte.

Em 1930 formou-se um grupo chamado Seibi, uma associação de artistas plásticos japoneses no Brasil. Contribuíram principalmente com o desenvolvimento da pintura abstrata, dando continuidade às idéias da Semana de Arte Moderna. Com uma pausa no período da Segunda Guerra Mundial, durante o qual sofreram terríveis e injustas perseguições, os japoneses e seus descendentes continuaram influenciando positivamente a cultura brasileira.




Na década de 1980, floresceu a "cultura pop", que deu início a um novo ciclo de japonismo. Não mais como resultado de um período de isolamento, mas como decorrência das inúmeras experiências artísticas desenvolvidas no Japão, artistas de todo o mundo voltaram o olhar para o Oriente, buscando formas e técnicas de renovação. Samurais, monges, a filosofia e a espiritualidade zen, gueixas, ninjas e tantos outros aspectos da cultura japonesa estão cada vez mais presentes em todo o mundo ocidental, incluindo o Brasil: nos animes (desenhos animados), nos mangás (quadrinhos), nos seriados de televisão, na moda, no cinema, nas artes plásticas, no design e na literatura.





Abaixo alguns estilistas que se inspiraram e se inspiram no Japão para criar suas coleções:








terça-feira, 13 de maio de 2008

Pescoço em voga

A moda se baseia em alguma parte do nosso corpo como um ponto de partida para a construção das silhuetas que marcam, marcaram ou marcarão as estações. A cintura foi o foco das estações anteriores marcadas pelas cinturas altas e cintos que definiam a silhueta das mulheres até então. Essa base migrou para o pescoço. Essa é a aposta dos estilistas que apresentaram suas coleções para o nosso inverno de 2008, e nas tendências para o inverno de 2009. A valorização da região dos ombros, colo e pescoço passou a ser superexplorada seja com echarpes, lenços, golas ou acessórios.

De tempos em tempos esses pontos da anatomia se destacam na história do vestuário e da moda. Vamos fazer um passeio nas antigas civilizações e observarmos, por exemplo, os egípcios. Como eles valorizavam essa região com aqueles adornos dourados e desenhados, que representavam a sua posição aristocrática, e deixavam em total evidência o colo nu desses nobres. Esses adornos eram feitos em couro e esmalte.



Avançando ainda mais no tempo chegamos aos famosos rufos que adornavam os colos da nobreza renascentista, e enfeitavam seus rostos. Essas golas de fartas camadas de rendas foram imortalizadas nos figurinos da Rainha Elizabeth. Quem não as conhece?



No século seguinte vimos essas golas aumentarem suas medidas se transformando em golas caídas sobre o vestuário. O que não sabíamos (ou sabíamos?) é que dessas golas surgiram o que conhecemos hoje como lenços e echarpes. Os primeiros eram em rendas delicadas que adornavam as golas dos vestuários.





Pois vemos que novamente essa região do corpo ganha destaque. Sendo assim, usem e abusem dos lenços, cachecóis, echarpes, pashiminas... E para quem não sabe como utilizar esses acessórios, não tem problema! Os estilistas estão empenhados nessa tendência e vocês encontram casacos, blusas, camisas com golas estruturadas e volumosas, além de belos colares com grandes pingentes e volumosos que ajudam a compor esse novo look de inverno.



Se tiverem alguma dúvida, não hesitem em pedir ajuda! Me envie um e-mail: juliana.pinheiro.ps@hotmail.com para que eu possa ajudá-las. Fiquem a vontade!

Até a próxima.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Consultorias...

A moda hoje é falar sobre sua democratização. Mas o que significa isso?

Durante décadas as mulheres se viram presas a formas, cores e estruturas ditadas por tendências que enquadravam a todas nós em uma única categoria de corpos ditados pelo mercado da moda em suas “glamurosas” passarelas. Eram corpos esguios, a magreza imperava e a modelagem era importada da Europa e dos EUA.

Nesse tempo as mulheres brasileiras com suas formas curvilíneas naturalmente moldadas, tinham que se virar pra se encaixarem nessas padronagens. O chic era todo mundo praticamente igual.




A partir dos anos 60 o movimento jovem ganha força (e poder de compra) e começa a ditar as suas preferências no vestuário que é acatado pela indústria da moda e aos poucos vai modificando esse cenário de uniformidade no vestir.





Cada um começa a buscar seu estilo próprio e hoje essa busca, que ganha cada vez mais força, é o que chamamos de democratização da moda. Com essa transformação de comportamento uma nova necessidade surgiu entre alguns consumidores: “Já que não tenho uma moda única a seguir e posso escolher qual o estilo quero ter, como vou saber qual me valoriza mais?”. Ou ainda, “dentro do estilo que escolhi, qual a peça de roupa me valoriza mais?”. E para suprir essa necessidade surgiram os consultores de imagem, hoje conhecidos como Personal Stylist.

É como se voltássemos aos tempos no qual a moda era ditada pela alta-costura e os modelos eram exclusivos, só que agora temos a moda pronta, só precisamos de alguém pra nos deixar exclusivas!!!










sábado, 3 de maio de 2008

ELEMENTOS DA LINGUAGEM VISUAL

“Uma imagem vale por mil palavras”, este velho provérbio nos diz que as imagens, tanto quanto as palavras, trazem sentidos diversos àquilo que queremos comunicar.

De acordo com o autor do Livro Elementos da Forma, moda e beleza, Luiz Perazzo “toda imagem produzida pelo homem traduz uma idéia, transmite uma sensação, nos comunica algo. Entretanto, apesar de vivermos cercados de imagens, não temos o hábito de observá-las com atenção”, principalmente, se essa observaçãos for em nós mesmos.